sexta-feira, 27 de abril de 2012

VAPOR BARATO EM RITMO DE FUGA




Se não me falhe a memória, a primeira vez que escutei a música Vapor Barato foi no final do filme Terra Estrangeira, um dos melhores do diretor Walter Salles, que ainda teve a Fernanda Torres arrebentando na interpretação. 

Acredito que a maioria já escutou essa canção feita pelo grande Jards Macalé, que já foi interpretada até pelo grupo O Rappa. Mas poucos conhecem esse longa-metragem feito em ritmo de fuga e desesperança. 
 
O filme foi lançado em 1995, não é fácil encontrá-lo nas locadoras, mas não custa nada ir atrás e conferir essa belíssima obra do cinema nacional. Essa cena final aí, que tem disponível no youtube, é sensacional, a versão na voz da Gal Costa também é demais.  

quarta-feira, 25 de abril de 2012

UM BREVIÁRIO SOBRE A ARTE DE VIAJAR

 
 
Viajar é sair chorando e esperneando do útero, carregado de emoção com o ar da vida. Antes é claro, de ter passado por todo aquele ritual de fertilização, ter conquistado aquela clássica corrida olímpica de espermatozóides. 

Saltando da visão biológica e pulando para olhares filosóficos e intelecutais, encontramos várias sinopses sobre essa aventureira arte. Descartes, por exemplo,  falava que as viagens nos livram dos preconceitos de que só em nossa terra se vive bem. Goethe dizia que se alguém quer se superar deve viajar. Stevenson não ligava para títulos, não dava trela pra riquezas, nem esperanças, somente desejava um céu sobre a cabeça e um caminho sobre os pés. Mais poético que isso só o escritor ‘pé na estrada’ Jack Kerouac que escreveu emocionantes e fascinantes relatos de viagens em seus livros:

"Nossa sofrida bagagem estava ali, amontoada mais uma vez na beira da calçada; tínhamos um percurso enorme pela frente. Mas estava tudo bem, a estrada é a vida". (Trecho de On The Road)


Sem falar no Jack London, o escritor viajante mais aventureiro que já li. Ele esteve no Japão, no Alasca, na Sibéria, nos mares do Sul, na Austrália, no Havaí e no México. Sempre fazendo link das paisagens que via  com a sua escrita refinada e empolgante.  

Outro entendimento bem pertinente é o de Bacon. Ele  explicava que, na juventude, as viagens aperfeiçoam a educação e na maturidade expandem a experiência.. Para Alain de Botton, viajar é uma arte. Che Guevara antes de ser guerrilheiro foi mochileiro. Jesus Cristo andava a pé pelas sinagogas, salvando putas de linchamento e conversando com os pobres. Todos essas figuras são influências na minha vida de viajante. 

Viajar também é o último haikai que Bashô escreveu antes de morrer, falando de sua jornada poética: 

"Doente em viagem/ Vagueiam-me os sonhos/ Pelos campos ressequidos". 

Sim, viajar é o compreender gradual de viver, o passo a passo da natureza que nos faz passageiros de primeira viagem.  

Para mim, viajar é o ‘meio e a mensagem’, é uma maneira de conquistar os bens naturais do mundo, sem perder os valores essenciais do espírito: bondade e esperança.   

VAMOS VIAJAR? 

sábado, 21 de abril de 2012

PERIGO EM TÓQUIO, ATIRANDO NO JORNALISTA

 
"Ou você apaga essa matéria ou nós apagamos você." É nesse clima de medo para não dizer terrorismo à liberdade de imprensa, encarnada no risco de vida do repórter, que começa o livro-reportagem do jornalista americano Jake Adelstein sobre a máfia japonesa. 

Intitulada "Tóquio Proibida", a obra é o resultado de 12 anos de coberturta jornalística do submundo da capital do Japão para o maior jornal do país, "Yomuri Shimbum", no qual investigou assassinatos, pornografia infantil, corrupção, tráfico humano entre outras mazelas.


Um detalhe interessante a ser considerado sobre o autor é que ele, mesmo não dominando completamente o idioma nipônico, foi o primeiro jornalista estrangeiro contratado por um jornal de destaque no país. O livro tem um calhamaço peso médio de 456 páginas, quem for ler só pelas primeiras já saca que trata-se de uma boa e instigante leitura.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

GIRAMUNDO




Clássico do Manu Chao. Lembro das vezes que viajei no estilo mochileiro, dispensando agências de turismo, com pouquíssima grana, comendo muito miojo e sem um roteiro totalmente definido, apenas uma ideia de trajeto. 


Esse é o tipo de música que inspira o cara ao velho clichê hippie de pegar a mochila e sair sem rumo mesmo. Não precisa se fera no em espanhol pra sacar que a letra é totalmente roots. Manjando um pouco de portunhol já dá para captar a mensagem. Aliás, essa é a ideia do cancioneiro.


Giramundo giramundo...
giramundo que é mio

Yo venho de terra fechada
? Da terracha no interior ?
Ai vai minha alma vagabunda
? Pensando cala forai mio ?

O giramundo giramundo
o giramundo por favor
O giramundo giramundo
o giramundo que é mio

oba oba

? Yo navegé mapo fechado ?
Yo caminé no alto mar
? Yo chegaré a finisterra ?
Yo no soy de ningun lugar

Yo no falo espanol
Yo no falo português
O desculpa minha gente
Yo so falo portunhol

O giramundo giramundo
o giramundo por favor
O giramundo giramundo
o giramundo que é mio

? Yo no ando devagar ?
O minho destino é viajar
Yo no soy de ningun lugar
O giramundo giramundo

? Yo tenho jeito maletero ?
Yo tenho jeito do viajeiro
Yo tenho jeito giramundo
Yo no soy de ningun lugar

O giramundo giramundo
o giramundo por favor
O giramundo giramundo
o giramundo que é mio


(Manu Chao)

domingo, 15 de abril de 2012

A OBRA-PRIMA DE MARVIN GAYE





Esse é UM DISCO de 1971. E até hoje, o álbum What's Going On é referência na música negra. Marvin Gaye conseguiu mesclar com genialidade, soul e funk, rock e grooves. Além dessa sensualidade musical, o disco é politizado, totalmente engajado, com letras que falam de conflitos raciais, Guerra do Vietnã e espiritualidade. A música que dá o nome ao álbum é um dos clássicos de Marvin Gaye. Acho o clipe emocionante, um retrato de tempos difíceis e angustiantes. Depois que o encontrei no youtube, já assisti várias vezes. É o tipo de clipe que faz o cara pensar como vivemos num mundo que, infelizmente, tem um lado triste e mesquinho, mas, por outro lado, jamais podemos perder a esperança, é preciso seguir, firme e forte.

domingo, 8 de abril de 2012

SESSÃO NOSTALGIA: SUPER-HERÓI AMERICANO






Um sujeito atrapalhado, professor de História, cujos alunos não davam a mínima para as suas aulas. Fora isso, ele é recém-divorciado e luta pela guarda do filho. Enfim, problemas não faltam na vida do cidadão.

Certo dia, a fim deixar a matéria mais dinâmica, resolve levar a classe ao deserto, num tipo de excursão. Depois de um monte de intempéries o ônibus quebra.  Ele deixa os alunos e sai andando sozinho à procura de ajuda, na tentativa de encontrar algum posto, algum mecânico... De repente, se vê na frente de um disco voador, de lá sai um homem que lhe entrega uma mala contendo um uniforme vermelho (no melhor tom de bordel) e umas pastas que, segundo informações dos alienígenas, dariam-lhe poderes de um super-herói. Só que ele, estabanado, deixa cair uma parte das pastas, perdendo o conteúdo total.

Resumindo: O manual ficou incompleto, então surgiu um super-herói pela metade.  Voava de maneira torta, caindo do nada, sem noção para aterrissar. Ficava invisível na frente dos bandidos e depois não conseguia sair da invisibilidade, bem na hora que havia marcado um encontro com a namorada. Ia derrubar uma parede, precisava de várias trombadas. Só o fato de ter que pôr o uniforme já ganhava ares de “sofrimento”, uma desengonçada e cômica luta contra a sua desordenada coordenação motora.

Assim, se não me falhe a memória, ou mais ou menos assim, começa a série “Super-Herói Americano”, produzida entre 1981 e 1983 que teve mais de 40 episódios. Por aqui, passou no SBT (Valeu, Silvio!) de 1982 a 1985. Com essa pegada meio trash, meio tosca, meio macunaimica, hoje retrô, mas totalmente engraçada. 

Pode chamar de sessão nostalgia. Mas a verdade é que conversando com um amigo sobre séries antigas. Lembrei dessa na qual eu me amarrava. Rachava o bico com os micos e as atrapalhadas do cara que não tinha nenhuma pinta do DNA clássico de um herói, nada de músculos, nada de charme, nada de força... Dá-se aí, creio eu, a grande sacada da série, debochar de uma sociedade que adora criar heróis superpoderosos. Uma zombaria total, para não dizer piada, das narrativas míticas, apresentando um herói às avessas.

Encontrei no youtube esse vídeo abaixo, com algumas cenas do seriado e ainda editado com a música Learn to Fly do Foo Fighters. Não haveria título de música mais apropriado para homenagear o divertido herói que costumava voar de maneira hilária. Um anjo torto. 

Confere aí!




sexta-feira, 6 de abril de 2012

MACHU PICCHU É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE



Já que o meu amigo Marcos Bueno, o aventureiro missionário que já visitou mais de 100 países e cinco territórios ultramarinos (rsrsrs) gostou desse texto do meu antigo blog, republico ele por aqui:




Numa fase da vida de urgência em aventura, um tempo atrás, eu e o meu amigo Niltinho, com a sua namorada na época, Aline, hoje esposa dele, resolvemos fazer a clássica rota andina dos mochileiros, de busão e trem, de São Paulo até Machu Picchu, cerca de 90 horas de condução.

Ah, deixa eu informar para os desavisados, Machu Picchu é uma cidade histórica pra não dizer lendária e mística, localizada no Peru.

Voltando a viagem em si. Eu particularmente saí de casa com 500 dólares, 200 reais, pão pullman e algumas latas de atum – só para economizar com comida nos três primeiros dias.

Foi, sem dúvida, uma das trips mais loucas que eu já fiz até hoje. Deu tudo errado em termos de roteiro. Pegamos uma greve geral na Bolívia, além de um clima tenso, meio que de guerra civil. É tio Drummond, havia uma Bolívia no meio do caminho. Tudo muito pobre por lá, pelo menos pelos poucos lugares em que passamos no território boliviano. 

Curtimos alguns dias na cidade de Corumbá, pertinho da fronteira, e depois subimos na carroceria de uma caminhonete e fomos parar nos cafundós do Pantanal, em Nhecolândia.

Apesar de não ter faltado aventura. Aliás, os últimos três dias de estrada foram bem dramáticos. A nossa grana acabou. O Niltinho gastou o dinheiro dele em carrinhos e uísques no Shopping China da Bolívia, espécie de Galeria Pajé lá deles, e ficou com o dinheiro da volta contadinho pra condução. Eu acabei doando a minha grana numa causa humanitária que surgiu diante de uma situação bem triste, e fiquei ainda pior, sem granha pra voltar. Foi uma doideira, mas no final deu tuco certo. 

A verdade é que ficamos meio decepcionados com o fato de não termos chegado até lá, a mítica terra dos incas. Machu Picchu era o sentido dessa jornada.

A viagem chegou ao fim. Voltamos pra casa sem sentir o vento frio que sopra nas ruínas incas.  Sem contemplar o Deus-Sol. Sem conhecer Machu Picchu, coração dos Andes.

Ah, antes que me chamem de louco, deixa eu explicar, é claro que o título acima: MACHU PICCHU É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE, é um deboche, uma espécie de autogozação, uma mistura de frustração com revolta por ainda não ter conhecido esse lugar.

Mas em breve eu tento de novo, afinal, para chegar lá, só basta uma mochila e seguir em frente, pegar a estrada.