quinta-feira, 10 de maio de 2012

A ESTRADA E O SEU FASCÍNIO




Acho que a estrada deveria ser um lugar sagrado, alguma espécie de igreja, manja? Um tipo de local santificado onde os demônios não tivessem vez. Não à toa tenho obsessões por estradas. Talvez por isso, às vezes eu sonho com uma estrada límpida pela frente.  

Pra mim a estrada é uma metáfora da vida construída no deslocamento, ora sul, ora norte, ora Mogi das Cruzes, ora Malawi. Uma incorporação de mudanças, aventuras, encontros e adeus. 

Sou fascinado pela estrada e as suas variações: céu azul,  paisagens, horizonte, posto de gasolina e afins, sem a mínima noção de latitude, ou longitude.

Eis a estrada, sempre um roteiro sem porto seguro que me conduz a esmo por caminhos desconhecidos, tortuosos, labirínticos e provavelmente sem saída. 

Uma trilha não apenas quilométrica, mas sonora, às vezes sob o som de um folk viajante do Neil Young, às vezes um triste blues que parece soar direto do Delta do Mississipi. 

A estrada é o meu único conforto, por isso, antes de pôr o pé na cova eu boto o pé na estrada. Gosto de quando ela sai de algum cafundó e termina em alguma praia, capturando o som das ondas, deixando-me de frente pro mar.

Gosto da estrada porque ela passa por todos os lugares, e sai de todos. Assim como um sujeito que toca violão num boteco a troco de bebida e comida, a estrada não está nem aí pra nada, apenas leva aqueles que buscam aventuras e estrelas perdidas.

Curto a estrada escrita nos livros de Jack Kerouac, onde ela é mística, profética e, acima de tudo, sonho.   

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