Perguntaram como eu estava. Na hora eu disse que tudo
ok. Também falei que os dias iam passando rápidos como uma serpente que se move
de maneira veloz pelo deserto de Gobi.
Mas pensando melhor, num olhar mais realista, uma
serpente, seja em qual for o deserto, também pode se arrastar lentamente e até
com certa sonolência.
E assim os meus dias guem como uma conversa variada,
às vezes felizes, às vezes tristes; agitados ou calmos.
Eh, vida, vida louca como rimou o Mano Brown, você e as suas eternas contradições, dilemas
da nossa existência.
A verdade é que hoje eu olhei para o lendário em levei
um baita susto. Nossa! Já estamos em junho, metade do ano se foi e tanta coisa que
eu ainda preciso fazer.
Tudo indo ligeiro demais: as horas, as perspectivas,
as vontades e os sonhos começando e acabando num abrir e fechar de olhos.
A impressão que dá, ilustrando até com um exemplo bem
das antigas, do tempo em que dava pra viver sem celular, é daquele cara que só
tinha uma ficha e precisava ligar pra mulher desejada e dizer tudo o que sentia
em apenas três minutos. Porra! Às vezes precisamos de mais tempo para as mais
diversas situações, independente do ponteiro seguir rápido ou lento demais.
Talvez por isso, quando me perguntaram como eu estava,
eu pensei em mim e nos meus dias, vindo na mente de modo repentino a imagem de alguma espécie de serpente se arrastando por algum desses desertos sem fim.
Esse réptil que é até personagem bíblico e sabe que vai
ter que trocar de pele para se transmutar, aceitando o que vem de novo - entre
tantos significados -, também representa essa força, essa energia de assimilar
novas ideias e inspirações diante das mudanças da vida, para o melhor ou para o
pior. E na verdade, creio eu , é assim que as coisas são.

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