domingo, 26 de agosto de 2012

34 ANOS PERCORRIDOS NA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA




Foto: Nhecolândia, subdistrito do Pantanal, em 2009, ao lado do peão e guia Alonso, numa longa caminhada pela mata local, só pra ver bem de perto a fauna e a flora pantaneira.






A toque de reflexão. Aproveitando a deixa do meu aniversário, permito-me escrever uma breve explanação particular sobre alguns tópicos que pontuam os meus mil destinos num viver e refletem os aspectos ancestrais do meu DNA, rsrs, superpovoando de pensamentos e atitudes o meu cotidiano de relação com o mundo e, acima de tudo, a minha busca por uma vida meio tranquila, quase bossa-nova, meio agitada, quase rock na roll, além de certa escolha e esforço em caminhar de maneira sincera e edificante:

Caminhos, pé na estrada, sertão, forró, tirá-la pra dançar, litoral, reggae, cidade grande, cinema.

Amizades que eu plantei, lembranças, sonhos que não acabam, decepções, roteiros, viagens.

A bandeira de Pernambuco. Alguns lugares, Caruaru, Recife, São Paulo, Bolívia, Machu Picchu, Malawi, o México, Pantanal, Patu, Natal, idas e vindas, Minas Gerais, cachoeiras, Pouso Alegre.

Avenida Paulista, encontro marcado, te espero na catraca do metrô, Linha Amarela, Vila Madalena, diversão, Santo André, trabalho. 

Gol do Corinthians!

Textos, o gibi do Homem-Aranha, cartas às namoradas, palavras, música, Bob Dylan, Alceu Valença, Zé Ramalho, jornalismo, Ruy Castro, jornal de domingo, caderno de cultura, literatura, Machado de Assis, Bukowski, Kerouac, o teatro, a luz e a ribalta, exposição no Masp.

As manhãs, manteiga no pão, café, jornal; às tardes, balanços na rede, livro; as noites, cerveja, farra, amigos.

Kung fu, equilíbrio, força, corpo, alma, as paixões, os amores, a morena, o violão, a loira, o beijo, o sim, o não, o talvez, o nunca, a esperança, o adeus, o voltar pra casa, a família, o cabelo branco do meu pai, a mãe rogando uma benção, o Eu e tantos outros links, conexões e interações que me compõem e que se tornaram esses 34 anos.   

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A TERRA QUE RESPIRA A MISÉRIA




Em 2009, durante algumas semanas do mês de agosto, eu tive a honra de conhecer o Projeto Malawi. Fui o escriba de uma viagem humanitária, organizada por missionários da igreja Assembléia de Deus de Santo André
Os dias que passei neste país africano mexeram muito comigo, com a minha visão de mundo, com as minhas aspirações de homem que busca viver mais próximo da generosidade e do altruísmo com o próximo.
A matéria a seguir  foi publicada originalmete no blog do projeto: http://projetomalawi.blogspot.com.br/ e na extinto jornal Santo André News.      






ZIKOMO KWAMBIRI! (Significa muito obrigado em chichewa, o idioma oficial do país, junto com o inglês). Foi isto que disse uma mulher, pulando de alegria, tão feliz quanto um brasileiro comemorando a conquista de uma Copa do Mundo, ao receber uma marmita que preparei no restaurante feita com o que sobrou do almoço. Assim que me agradeceu, de maneira entusiasmada, chamou três filhos pequenos para compartilhar o alimento. Tamanha felicidade tem explicação, às vezes o malauiano fica três dias sem ter o que comer. O que era resto para mim, no estômago daquela família se tornou uma ceia farta.

E assim caminha este pequeno país, situado no sudoeste do continente africano, sem saída para o mar, com uma extensão de 118.484 km² cuja superfície é coberta por infinitas savanas e florestas tropicais, cheias de aldeias tribais, formando uma nação com cerca de 14,3 milhões de pessoas.


Lilongue
é a capital, mas a sede do governo não está lá, e sim na cidade de Blantyre, na região sul, além disso, turisticamente falando, não tem vida noturna, as ruas são sem iluminação e sem calçadas. Os grandes comércios que existem não pertencem aos malauianos e sim a estrangeiros, na maioria dos casos, indianos. Os nativos da parte central, no geral, são sempre funcionários. Fora isso, trabalham como autônomos, em feiras e comércio ambulante.

Malawi
é uma tristeza que, assim como o horizonte, parece não ter fim. Segundo os dados da ONU, é um dos países mais pobres do mundo, sobrevive com ajuda externa, principalmente da África do Sul, do Reino Unido e de Organizações Não Governamentais.

O cenário é doloroso: miséria, fome, AIDS, vários tipos de doenças, falta de água, infra-estrutura totalmente precária, pessoas morrendo antes de chegarem aos hospitais... tudo isso faz parte da sofrida história de vida da população.


E eles, sobretudo às crianças, apesar de toda calamidade, preservam uma alegria contagiante, têm capacidade de mostrar carinho por desconhecidos, como eu, que na condição de enviado especial, de repórter a milhas e milhas distante da pátria verde e amarela, me senti em casa graças à fraternidade do malauiano.


AS CRIANÇAS DO MALAWI



Hora do almoço na aldeia Mutu. A condição choca, a cena é inaceitável aos olhos de qualquer ser humano. O ar parado, sem vestígios de vento, o sol queimando a terra vermelha, na qual centenas de crianças, maior parte órfãs, formam uma fila indiana, todos munidos com um pratinho, alguns com colheres, outros sem, destes a mão será o talher, em comum, eles carregam a fome nos olhos.

Uma menina no meio da fila, aparentando quatro ou seis anos começa a lamber a colher, impaciente para a tão desejada hora do almoço cuja refeição será uma espécie de mingau que chamam de sima, feito a base de milho e mandioca.

Como se estima que a metade dessas crianças sejam soropositivas, o governo manda um tipo de trigo com preparo especial para dar uma maior sustentação na alimentação.

É desta maneira que estas crianças se alimentam. Para eles não existe café da manhã, o almoço é algo simbólico, e jantar uma raridade. A refeição é um mistério, pode ser que apareça, pode ser que não.


Todos os órfãos dormem no chão, sobre um plástico empoeirado, num dormitório feito de palha. Como a temperatura, normalmente, cai à noite, ficam amontoados para amenizarem o frio. Às vezes surgem alguns panos rasgados, e viram mantas.


PROJETO MALAWI





Atualmente as Organizações Não Governamentais e instituições assistenciais têm cumprido um papel fundamental não só para a elaboração de recursos e ajudas humanitárias, mas também pressionando os países ricos para olharem com mais atenção aos problemas dos menos favorecidos.

O Projeto Malawi, radicado em Santo André, desenvolve programas assistenciais no país africano há mais de dois anos. Estes programas são voltados ao crescimento de infra-estrutura e atualmente atendem às aldeias Mutu, Modika e Mtema, localizadas entre 25 e 50 Km da capital, em cada uma, foi construído um poço artesiano que deve levar água potável por aproximadamente 50 anos.

Conforme informações do site da Organização Mundial da Saúde (mapeamento de 1999), bactérias, vírus e parasitas presentes na água são responsáveis por cerca de 4 bilhões de casos de diarréia por ano, grupos de risco representativos encontram-se em países com difícil acesso a água potável, a exemplo do Malawi.

No dia 12 de agosto foi inaugurada uma escola na aldeia Mutu para atender as crianças da região. Antes, para chegar ao colégio mais próximo, estas crianças precisavam andar uma extensa caminhada.

Não há como negar que os primeiros passos do Projeto Malawi foram bem-sucedidos, e pelos objetivos traçados, há muito mais para ser feito. Em 2010, a idéia é implantar um sistema revolucionário de agricultura que vem fazendo sucesso nas lavouras da Paraíba, para isso, já foi iniciada uma parceria com a Agência Mandalla, responsável por este processo agropecuário.

“A terra precisa virar fonte de alimentação saudável, de renda, de sustentabilidade o mais rápido possível para esse povo”, comenta Silas Josué de Oliveira, diretor do Projeto Malawi. 

"TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA"





Recentemente o Malawi apareceu na mídia brasileira por causa da morte do economista carioca Guilherme Buchman, de 28 anos, provocada por hipotermia durante escalada no Monte Mulanje. Pelo que foi publicado nos noticiários, ele viajava pelos países mais pobres, estudando, para conclusão de uma tese de doutorado em políticas públicas.
O programa Esporte Espetacular da rede Globo, fez uma homenagem, a equipe de reportagem refez a trilha e no pico pregou uma placa com o nome dele, uma foto, e uma frase do poeta Fernando Pessoa que ele gostava: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena".
Esta minha viagem só foi possível por causa do Projeto Malawi que me convidou a conhecer as obras assitencais no país, e agora, também sou colaborador do site www.projetomalawi.com.

Pessoas de visão social como Guilherme Buchman era, instituições focadas em ajudar nações cujas pessoas parecem estar condenadas a uma existência breve, são lições de que podemos nos empenhar para criar um mundo melhor.

Lembro de quando o avião decolou do aeroporto Internacional Kamuzu Banda, e a atordoante visão da pobre terra (vermelha como o sol da bandeira malauiana), foi sumindo da minha vista até surgir a imensidão dos céus, descobri ao longo das nuvens, que o rosto daquelas pessoas, com olhares que clamam por socorro, principalmente das crianças, nunca mais sairão da minha mente. A todos eles, ofereço (confesso que envergonhado) está simples matéria.
 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

ISRAEL KAMAKAWAWIO´OLE




É o tipo de música ideal para escutar esperando um pôr-do-sol. Impossível não se render a este convite de celebração à vida. Foi numa dessas minhas "garimpagens" pelos rincões do youtube e internet em geral que eu  conheci o Israel Kamakawawio'ole

Achei muito bom o som do cara. Aí pesquisei no Google um pouco do trabalho e da vida dele. Israel foi um dos cantores mais populares do Hawaii

Infelizmente faleceu em 1997, por causa de problemas respiratórios, devido uma doença chamada obesidade mórbida. Ele pesava mais de 300kg. Morreu aos 38 anos, mas deixou como herança músicas que fazem bem aos ouvidos. 

Um dos feitos do artista, que lhe rendeu vários prêmios e sucesso mundial, foi gravar "Somewhere Over the Rainbow", que é aquela da trilha sonora do filme "O Mágico de Oz" mesclando com outro clássico: "What a Wonderful World" de Louis Armstrong. Gravação que passa no clipe postado acima. 

Kamakawawio'ole tinha uma bonita voz e mandava bem no ukelele, um instrumento havaiano que parece som de violão, mas tem apenas quatro cordas.

Sem falar que o vídeo é uma linda homenagem a ele. Depois de uma sequencia de fotos do artista e da paisagem havaiana, no final, as cenas do pessoal nos barcos com bouquet de flores, o enterro dele, onde teve as cinzas jogas ao mar. Um ritual bem emocionante e diferente.

domingo, 12 de agosto de 2012

PAI, CARISMA E RESPEITO ETERNO









Pai! Olha aí algo que é primordial, que vale a pena curtir. Infelizmente, muitas vezes marcamos bobeira e não damos o valor necessário que a figura paterna merece. Mas nunca é tarde para valorizar e respeitar aquilo que exerce um papel fundamental de amor e força interior em nossas vidas.

E pra homenagear os pais deixo por aqui esse clipe legendado de Father and Son do Cat Stevens. Uma melodia gostosa de ouvir e com uma letra que fala um pouco dessa relação pai e filho.


Ah, eu tenho muitos amigos que são papais. Meus amigos e seus filhos, muitos filhos, que essa hora estão correndo e pulando por aí e os caras atrás deles. Pra eles:
Wagner Braz, Robson Lopez, Rubens Lopez, André Dourado, André Do Nascimento Silva, Robson Martins, Will Franklin e tantos outros, deixo o meu forte abraço.

E, é claro, um abraço superespecial, com toda a minha energia e reverência pro meu pai, Antônio Bezerra, minha referência de 82 anos de bons fluídos que ainda tenho a benção de tê-lo ao meu lado.  

Pai! Um beijão pro senhor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

LETÍCIA



Quando ela nasceu eu não tinha noção que seria uma criança tão importante na minha vida. Ela é filha de um casal de amigos, Aliciene Castilho e Thiago. Por causa do trabalho deles, quem acabou cuidando dela durante seus primeiros anos de vida foi a minha mãe.

Nesse tempo eu trabalhava muito em casa escrevendo para uma revista. Lembro dela entrando no meu “escritório-dormitório” e aterrorizando, mexendo em tudo, querendo pegar os meus livros e puxar as cordas do violão.

Mas aí ela começou a falar, me chamar de Tio Fábio e direcionar os seus primeiros sorrisos para mim, resultado: a pequena me conquistou, mas continuou aterrorizando, metia a mão no teclado enquanto eu escrevia e pedia para eu desligar o computador e ir assistir desenhos com ela.

Quantas vezes eu parei o serviço para atender os seus pedidos. Quando me dava conta estava na sala vendo o tal do Cocoricó e outros daqueles programas infantis da TV Cultura.

E dias atrás ela completou 06 anos, o fotógrafo Guilherme Balconi, responsável pelos flashes oficiais da festa, tirou essa foto bacana e gentilmente mandou pra mim. Valeu, Guilherme!

É gracioso como alguns sentimentos nunca acabam. O tempo passou, hoje ela está maior, não fica mais sob os cuidados da minha mãe, agora está na escola, eu também não trabalho mais em casa, mas quando nos encontramos é uma festa só.

Assim que eu cheguei no aniversário, ela veio sorrindo na minha direção e falou: “Vamos brincar na piscina de bolinhas Tio Fábio”. Muito bom ouvir isso. É o carinho de uma criança, alguma espécie de amor fraterno que, creio eu, engradece muito a vida de todos nós.

domingo, 5 de agosto de 2012

CARIBE




Hoje eu pensei num lugar bacana para nós dois. Eu e você em algumas surpresas antes dos lençóis. Algo banhado com os mares da América Central. Alguma coisa simples, mas reluzente; ou, provavelmente diferente como entregar flores selvagens. 

Por isso eu gostaria de pegar na sua mão. Pode ser?

Eu sei que já ouviu isso, promessas e cantadas juvenis. Mas a minha fala é safadamente respeitosa. 

Ah, eu saquei a sua opinião sobre romances atrapalhando a vida que segue em ascensão à liberdade. É verdade, pode crer, eu também acho.

Mas é que às vezes os dias podem ser curtidos em tons romanceados, em praias lindamente tocadas pelo sol. Eu falo em momentos, não em eternidade.

É a vida em cores lúcidas, em janelas abertas para outras órbitas celestes. 

Há um espaço crescendo entre nós, não vamos perder o éter que nos apresentou, há tantas ilhas caribenhas com suas bandas de calypso tocando à nossa espera. E tem essa minha vontade e teimosia sem graça em querer encontrar o calor da noite no teu corpo. 

Como eu disse, hoje eu pensei num belo lugar nós dois. Eu e você.  

sábado, 4 de agosto de 2012

O HOMEM DO BATOM



O Marcos Roberto Moreira é maquiador e anfitrião de uma escola de estética em Mauá. Ele também tem um programa chamado “Muito + Que Batom” que agora será transmitido pela Rede ECO TV que é a emissora onde trabalho. 

Como tem acontecido com todas as atrações que chegam no canal, fico com a missão de escrever o roteiro e fazer a direção da chamada de estreia, tarefa essa que eu faço ao lado do meu amigo e companheiro de trabalho Rafael Bira que não só manda bem como cinegrafista, mas também é um baita editor e criador de arte.

Só na intenção de divulgar mais esse trabalho, aproveitando que o Marcos aprovou e já até postou no face dele, deixo aqui também o vídeo dessa produção. Aproveito para agradecer ao
Tony Duarte que fez mais uma locução bem bacana, ao Wander Von Leyfer e a Suelen Correa que me dão toda a liberdade para eu fazer o meu trabalho.

É isso aí! E toda sorte do mundo aí pro Marcos Moreira com essa atração bem descontraída e cheia de marcas de batom, rsrsrs.