terça-feira, 5 de junho de 2012

ESCARAFUNCHANDO O AMOR




Recentemente li “Ensaios de Amor” de Alain de Button. Gostei. O cara entende do assunto. Está tudo lá, todos os meandros do amor, das suas necessidades às suas incompatibilidades, das decepções às realizações, do ato de amar a ser amado, da paixão à traição, do desejo ao adeus – e dá-lhe dilemas. É um verdadeiro convite à reflexão.


E alguns trechos tive a impressão de que o autor trata o amor como um colecionador de obsessões. E o pior é que é verdade. Tem alguma espécie de loucura que é melhor a gente nem se arriscar a entender.


Não que o amor não valha a pena, não é esse o xis da questão. 


Como diz um texto do Pedro Bial: "Bom é amar, ruim é amar."


É claro que tem o lado bonito do amor, é óbvio que há lindas histórias feitas por esse sentimento quando ele tende a ser nobre.


Porém, tem também uma teia de aranha, um tipo de armadilha confundindo o gostar razoavelmente de alguém e o amar verdadeiramente. E aí meu compadre, minha amiga, cuidado! Pode ser a cilada, aquilo que vai te deixar sentindo o sabor amargo do fracasso.


E vamos falar a real, o ser humano tem talento pra ser achar um fracassado. Ainda mais quando o assunto é relacionamento, coisas do coração.

Aí os românticos que me desculpem, mas em momentos da vida, como bem questiona De Botton,  o amor precisa ser abandonado como cigarros, deixa pra lá, faz mal.


Lendo esse livro, a leitura subjetiva que eu fiz é que diante de um sentimento tão complexo e maluco o melhor a fazer é se iludir o menos possível.


Eu sei que às vezes é difícil, que o ser humano tem aptidão em idealizar romances e fazer planos a dois, mas é bom sempre deixar o alerta ligado.


Há sempre coisas melhores por aí tanto pro homem quanto pra mulher. Uma hora um dos dois vai se distrair, aí entra outra pessoa na jogada, alguém que fale melhor, que se vista melhor, que ofereça algo melhor; ou que seja somente diferente e deixa a senha para a moeda de troca, a trilha pra outro caminho.  


O fato é que em algum momento do um relacionamento, desejos e objetivos distintos entre casal podem surgir. E na boa, não há nada que possa mudar isso.


Mas apesar de apesar de todo o risco, alguns seguem tentando, outros já desistiram escreveram um dane-se e ponto final. E é esse dilema com ares de saga que nos acompanha até o fim.


É esse enredo cujo tema é endereçado a todos nós que Alain de Button sabe escarafunchar e escrever por meio de pensamentos e explicações filosóficas, esbanjando inteligência e propriedade. 

Um comentário:

  1. Boa Matéria!

    O relacionamento afetivo é uma arte a ser explorada. Aprendemos que o erro leva ao acerto e investimos nisso, reconhecemos que nos tornamos hábeis em nossa profissão quando através da soma de experiencias chegamos a conquista deste dominio. No entanto na area afetiva consideramos que está tudo pronto... Não está! Precisamos aprender amar e nos permitir ser amado. Como o impulso afetivo mexe por demais com as nossas emoções, vemos no outro aquilo que gostariamos que ele fosse para nós, esquecemos da individualidade e aí esbarramos nas diferenças tão comuns entre as pessoas. Só que para o companheiro de trabalho, na família, amigos é mais fácil manter o respeito, segurar a "barra"... Mas entre parceiros afetivos, achamos que o "outro" TEM que responder totalmente as nossas expectativas...
    O melhor mesmo é nos deixar expressar todo sentimento e direcionar nossas emoções com consciência, assumindo as nossas necessidades em primeiro lugar para evitarmos projetar que alguem possa nos satisfazer em tudo e em todo momento. Descentralizar o parceiro e TROCAR sentimentos sem dependência afetiva. Entretanto, na minha opinião o que torna uma relação saudável é a cumpliscidade, respeito e sem dúvida alguma o AMOR.
    Para mim o AMOR não faz mal, o que faz mal são as nossas próprias ilusões...
    E pode ser tão simples! Estar com o outro é participar desta troca em comum. Por isso, aprender a relacionar-se é realmente uma arte a ser explorada...
    Quando eu me assumo como sou, permito que o outro seja ele mesmo...
    Quando eu jogo fora o critico perfeccionista, eu me torno natural e puxo a naturalidade do outro...
    Quando sinto eu toco e me deixo ser tocada...
    No dia-a-dia, eu posso caminhar lado a lado, isso quer dizer, não carrego ninguem e nem deixo pra atrás...

    Vou ler o livro, gostei do assunto, conscidentemente será o tema de uma palestra que irei ministrar no dia 19.06

    Um abração,
    Lucimara

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