segunda-feira, 9 de julho de 2012

ELA, AS TATUAGENS E EMPOLGANTES SINAIS



Ela chega de vestido florido, um colar com madrepérola no pescoço, sandálias, flores no cabelo, papo cabeça, um estilo que alardeia Woodstock

Convido a tomar uma gelada, como normalmente se faz nessas situações. Ela senta, cruza as pernas à la Sharon Stone em Instito Selvagem. Sinto-me abduzido. 

Ela exibe algumas tatuagens nos braços e no ombro direito, cada desenho uma história, cujo roteiro mostra a contramão que é a sua vida, hesitações, labirintos, sala vazia, letras do Bob Dylan, poesias de Hilda Hilst
Também diz ter mais algumas tattoos na região da lombar, aí já são outros significados, figuras de tesouros e sereias, reis e valete de paus. Imagino eu. 

Enquanto fala, em alguns momentos, alisa o meu braço, é o tipo de pessoa que gosta de falar pegando, mas tudo bem, tem a mão quente e a pele macia.

No meio da conversa, um cara bem marombado passa perto da mesa, ela diz:

- Que exagero, muito forte assim o homem perde a naturalidade, fica muito forçado, né? 


Dá para perceber que no seu modo de encarar o mundo tudo deve soar natural, meio zen, meio domingo no parque, meio balanço de rede, meia dose e pode fechar a conta. 

A voz mansa, a fala bem pontuada, transmite isso. É uma tarde de verão, no entanto, a atmosfera do ar remete a delicadeza de uma manhã de outono.

Ela acende o cigarro, eu abro uma página do meu livro de bolso, cito
Marquês de Sade:
"Antes de ser um homem da sociedade, sou-o da natureza." 


Agora, o silêncio, mergulho fundo no seu olhar, me pego numa visão surrealista, vejo algas balançando no verde mar dos seus olhos, mas, nem dá tempo de decifrar, em seguida volto à tona. 
Ela percebe a minha viagem e solta um sorriso sem graça. Olhamos para as garrafas vazias de cerveja na mesa, bitucas de cigarro queimando no cinzeiro, o menu aberto na porção de fritas.
- Vamos sair daqui? Ela balança a cabeça, concordando com a ideia. 

- Pra onde vamos? Ela pegunta. Eu não resisto, dou uma sugestão "indecente". Mas o cúpido diz amém. Seguimos pela avenida, olho para o sinal do semáforo: está verde.     

2 comentários:

  1. Meu amigo, que saudade de você!!
    Vc esta escrevendo como um grande escritor de contos. Estou muito feliz.
    Forte Abraço!!!

    Willian

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    1. Oh, meu amigão, quanto tempo, saudades dos nossos papos rock and roll, da nossa amizade no tempo da faculdade, vamos combinar algo.... E a esposa, dê lembranças para a Patrícia. Espero que esteja tudo bem com vocês. Eu acho que eu tenho o seu telefone aqui, se não mudou, eu vou te ligar agora, atende aí, rsrs, um forte abraço.

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