Ba-Boom
tem levada dançante. Tem estilo. Tem a força dos metais. Tem a leveza do som.
Tem acordes, compassos e harmonias que misturam tribos musicais. Tem suingue. Tem
perspicácia na criação dos arranjos. Tem bons modos rítmicos calcados na música
jamaicana.
Nessa
maré de predicativos, esse grupo formado na região do Grande ABC paulista pegou
uma onda própria onde surfa apresentando músicas que oscilam entre uma embalada
conexão Brasil-Jamaica.
Do
lado de cá, verde amarelo: o samba nos seus primórdios e o hip hop lapidado por
mensagens sociais.
Do lado de lá, da
terra de Bob, o reggae, o dub e o ragga.
De lado nenhum, um estilo bem próprio, uma dimensão bem autoral na qual o grupo bebe em fontes como o jazz sem perder a sua autenticidade
Descortinando-se nesse
múltiplo horizonte sonoro a banda lançou o álbum Incendeia que seduz pela
ausência de pretensão, pela roupagem de sonoridade flutuante e expressiva que
chega num clima de energia acentuado pela voz firme do vocalista Bruno Buia.
Outro
ponto forte são as letras, a exemplo da faixa “Quem Conta”: “Maneira de pensar/ Não pede licença/ Come
lentamente/ Sua identidade, crença/ Debaixo do pano é que se esconde/ A
desavença/ Quem conta a história nunca liga para a ofensa”. Os versos soam
como uma reflexão sobre a maneira que se pode narrar a história de um povo.
Já
na música Como Tá Kalunga? vem o alerta antropológico em sintonizar presente
e passado: “Venha cá, sente comigo/ Sou todo ouvido/ Baiano velho/ Nego bem
sabido/ Me conte mais desse sertão sofrido/ E o que essa história tem a ver
comigo”.
Saindo
de um contexto sertanejo e indo para um recorte urbano a canção Amizade
Prevalece também vem introspectiva: “Meu irmão/ Realidade aqui é dura/ Miséria,
sofrimento/ Passa na quebrada escura”.
Ao
todo são 11 faixas, aqui, supera-se o desafio de fazer aquele tipo de CD capaz
de ser escutado da primeira à última música sem perder a empolgação e o fôlego.
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