Estive ontem no Masp para
ver a exposição Caravaggio e seus
Seguidores. Era um desejo antigo que eu tinha em conhecer a obra do pintor italiano, a qual
conhecera apenas em leituras de livros de arte.
Já fui sabendo que ele é considerado
o mestre do claro-escuro, craque em direcionar a luz e jogá-la em perfeito
realismo com a sombra. Também, por leitura, sabia do cenário dramático que,
como poucos, conseguiu transcender em suas pinturas.
E agora lá estava eu,
naquele Masp agradavelmente lotado, de estudantes mirins a senhores e senhoras ligados em cultura, frente a frente com os quadros
fantásticos do grande artista.
Fiquei um tempo considerável
apreciando e viajando na Medusa Murtola, quadro
pintado num escudo, onde ele teve a sacada de dialogar plasticamente com a mitologia em volta desse
personagem.
Tive a sensação de que aquilo não foi coisa feita por gente, parece inacreditavelmente algo de outro mundo mesmo, tamanha a dimensão realista e fantástica da imagem. Além disso, refleti numa mensagem artística meio que avisando a impossibilidade que é olhar a arte, para não dizer a vida, sem sentir um processo de transformação.
Tive a sensação de que aquilo não foi coisa feita por gente, parece inacreditavelmente algo de outro mundo mesmo, tamanha a dimensão realista e fantástica da imagem. Além disso, refleti numa mensagem artística meio que avisando a impossibilidade que é olhar a arte, para não dizer a vida, sem sentir um processo de transformação.
Outra
tela que me chamou muito a atenção foi o São Jerônimo que escreve.
Esta
obra mostra bem que Caravaggio não era só genial e polêmico, mas que se
destacava por gostar de retratar o simples em tudo que via.
É até engraçado e admirável pensar que numa época que a Igreja Católica dona de um enorme poder, e ainda, encomendando os quadros, ou seja, pagando pra ele (risos), ainda assim, teve a ousadia de pintar um santo como São Jerônimo que, era sempre representado com a pompa e a luxúria de um cardeal imponente, nas pinceladas de Caravaggio ficou quase que sem vestes, uma figura desnutrida, com pinta de cientista maluco, bem longe do glamour canônico que o catolicismo pregava.
É até engraçado e admirável pensar que numa época que a Igreja Católica dona de um enorme poder, e ainda, encomendando os quadros, ou seja, pagando pra ele (risos), ainda assim, teve a ousadia de pintar um santo como São Jerônimo que, era sempre representado com a pompa e a luxúria de um cardeal imponente, nas pinceladas de Caravaggio ficou quase que sem vestes, uma figura desnutrida, com pinta de cientista maluco, bem longe do glamour canônico que o catolicismo pregava.
Confesso
que fiquei admirado e gostei de conhecer tête-à-tête esse lado B, totalmente
simplório das coisas que ele observava e retratava, sempre fugindo do glamour e indo para um despojamento crítico e contundente.
Por ter ficado com essa
impressão, creio que não foi à toa que com tantos personagens cheios de pompa do
universo católico ele buscou na parte mais humilde que é a dos franciscanos para
criar esse extraordinário quadro contemplativo: São Francisco em meditação.
Uma imagem que traz ressonâncias de profunda
reflexão mística do santo diante da morte representada pela caveira que segura
na mão.
No total a exposição mostrou
seis telas de Caravaggio, além de outro montante de pintores que são
considerados seus seguidores, daí o nome da
exposição.
Terminada a minha visitação,
tomei a direção do metrô Trianon. Já no vagão, voltei pra casa pensando não só
na eternidade intacta desse gênio por meio das suas obras que atravessaram séculos, mas também no fato
de um cara que nunca teve um ateliê, uma escola, nem muito menos seguiu uma
corrente artística definida; corre a lenda que ele pintava no quarto, em lugares caóticos, sem
a estrutura dos grandes pintores, isto sem falar na vida conturbada e sofrida que viveu,e mesmo assim teve tantos seguidores e um lugar cativo na História da Arte.
Talvez por isso, suas pinturas, a maioria com aquele fundo negro, de certa maneira, presentificam as atribulações, os sofrimentos e as confusões da sua trajetória.
Talvez por isso, suas pinturas, a maioria com aquele fundo negro, de certa maneira, presentificam as atribulações, os sofrimentos e as confusões da sua trajetória.
Sensacional. Uma das
melhores exposições que já visitei. Recomendo, quem ainda não viu, corre lá!



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